África: O Berço do Café

A lenda já é conhecida de muitos: Diz-se que um pastor de bodes na Etiópia chamado Kaldi, ao ver que os bodes ficavam muito agitados ao comerem umas frutinhas vermelhas, levou alguns desses frutos para apreciação de líderes religiosos. A primeira reação foi de repudia, os monges jogaram os frutos no fogo e, em pouco tempo, subiu o irresistível aroma de café torrado, e o resto é história. Até onde a lenda de Kaldi é real é difícil dizer, mas o que é certo é que o berço do café é a África, mais precisamente a Etiópia. 

Desde então, o café percorreu o mundo e, com a crescente demanda mundial por cafés especiais, voltou para o centro das atenções do continente. Hoje a Ben vai te contar um pouco sobre como o café e a África estão profundamente conectados, das raízes à modernidade.

A ORIGEM 

Basta um rápido passeio nas florestas da Etiópia para encontrar diversos pés de café nativos. A variedade na terra natal é tanta que, só na Etiópia, as plantas possuem 99% mais variedade genética que no resto do mundo (e já te explicamos o porquê). Há milênios o café é utilizado na região para rituais.

Apesar do berço do café ser a África, a planta só começou a ser produzida para a comercialização no Yemen, no sul da Península Arábica. O país mantinha um forte controle das plantas, exportando somente a semente já torrada e moída. Foi então que um contrabandista indiano chamado Baba Budan conseguiu 7 sementes de café e levou para a índia. Com as descendentes destas 7 sementes que o café foi se popularizando pela Europa, e as variações exóticas e nativas do café ficaram na Etiópia. 

O café nunca saiu da África, mas sua importância para a economia do continente vem aumentando graças a uma crescente demanda mundial por cafés especiais. O caso de Ruanda é um exemplo de como o café está mudando a realidade da população africana.

O CAFÉ RECONSTRUINDO UM PAÍS

A Paisagem das florestas exuberantes no sudoeste de Ruanda é algo inexplicável. Foi nesse meio que a ruandesa Gemima Mukashyaka cresceu, em uma pequena fazenda de café, com sua família de 8 irmãos. Infelizmente, em decorrência do Genocídio ruandês de 1994 que deixou 800.000 mortos em 4 meses, Gemima perdeu os pais, 6 dos 8 irmãos, e teve que fugir da morte como refugiada em países vizinhos. 

Quando retornou, em 1997,  para a pequena fazenda que no passado sustentou sua família, Gemima tinha um desafio: sustentar suas duas irmãs sobreviventes e tocar a fazenda da família. No primeiro ano ela conseguiu vender sua safra por apenas U$83,00. A safra seguinte sofreu com o clima e foi vendida por apenas U$46,00. O dinheiro não era o suficiente para sobreviver. 

O panorama foi mudando aos poucos, foi criada a cooperativa de produtores, investimentos possibilitaram um salto na qualidade, parcerias com torrefações Americanas e Europeias quintuplicaram o valor do café verde. Essa é apenas uma das 400,000 famílias produtoras de café em Ruanda.

A paisagem da região já não é mais a de terror e pobreza. Estações de processamento de café, restaurantes, farmácias, um banco, salões de beleza e até mesmo o primeiro Internet Café já foi inaugurado. 

“Meu café me dá esperanças de um futuro melhor” – Gemima Mukashyaka

A MUDANÇA NAS ENGRENAGENS DA INDÚSTRIA DO CAFÉ

A indústria do café vem mudando a largos passos, o consumo de cafés especiais nunca foi tão alto, e a demanda continua crescendo. Essa categoria de café joga as grandes indústrias pra escanteio e dá preferência para pequenos produtores e cooperativas. Essa mudança de modelo de negócio é crucial para a construção e desenvolvimento do continente. Vale lembrar que a África herdou seus problemas de centenas de anos de exploração e colonização européia, decorrente do neocolonialismo do séc XIX.

Por isso, comprar um café especial é muito mais que apenas ter o melhor café possível na xícara, é apoiar diretamente toda uma cadeia de produtores e trabalhadores que botam sangue suor e lágrimas em cada planta.

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